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sexta-feira, 18 de maio de 2012

Faroeste Caboclo

Legião Urbana
Não tinha medo o tal João de Santo CristoEra o que todos diziam quando ele se perdeuDeixou pra trás todo o marasmo da fazendaSó pra sentir no seu sangue o ódio que Jesus lhe deu
Quando criança só pensava em ser bandidoAinda mais quando com um tiro de soldado o pai morreuEra o terror da cercania onde moravaE na escola até o professor com ele aprendeuIa pra igreja só pra roubar o dinheiroQue as velhinhas colocavam na caixinha do altar
Sentia mesmo que era mesmo diferenteSentia que aquilo ali não era o seu lugarEle queria sair para ver o marE as coisas que ele via na televisãoJuntou dinheiro para poder viajarEscolha própria escolheu a solidão
Comia todas as menininhas da cidadeDe tanto brincar de médico aos doze era professorAos quinze foi mandado pro reformatórioOnde aumentou seu ódio diante de tanto terrorNão entendia como a vida funcionavaDescriminação por causa da sua classe e sua corFicou cansado de tentar achar respostaE comprou uma passagem foi direto a Salvador
E lá chegando foi tomar um cafezinhoE encontrou um boiadeiro com quem foi falarE o boiadeiro tinha uma passagemIa perder a viagem mas João foi lhe salvar:Dizia ele - Estou indo pra BrasíliaNesse país lugar melhor não háTô precisando visitar a minha filhaEu fico aqui e você vai no meu lugar
O João aceitou sua propostaE num ônibus entrou no Planalto centralEle ficou bestificado com a cidadeSaindo da rodoviária viu as luzes de natal- Meu Deus mas que cidade linda!No Ano Novo eu começo a trabalharCortar madeira aprendiz de carpinteiroGanhava cem mil por mês em Taguatinga
Na sexta feira ia pra zona da cidadeGastar todo o seu dinheiro de rapaz trabalhadorE conhecia muita gente interessanteAté um neto bastardo do seu bisavô
Um peruano que vivia na BolíviaE muitas coisas trazia de láSeu nome era Pablo e ele diziaQue um negócio ele ia começarE Santo Cristo até a morte trabalhavaMas o dinheiro não dava pra ele se alimentarE ouvia às sete horas o noticiárioQue sempre dizia que seu ministro ia ajudar
Mas ele não queria mais conversaE decidiu que como Pablo ele iria se virarElaborou mais uma vez seu plano santoE sem ser crucificado a plantação foi começarLogo, logo os maluco da cidadeSouberam da novidade- Tem bagulho bom ai!
E o João de Santo Cristo ficou ricoE acabou com todos os traficantes daliFez amigos, freqüentava a Asa NorteIa pra festa de Rock pra se libertar
Mas de repenteSob uma má influência dos boyzinhos da cidadeComeçou a roubarJá no primeiro roubo ele dançouE pro inferno ele foi pela primeira vezViolência e estupro do seu corpo- Vocês vão ver, eu vou pegar vocês!
Agora Santo Cristo era bandidoDestemido e temido no Distrito FederalNão tinha nenhum medo de políciaCapitão ou traficante, playboy ou generalFoi quando conheceu uma meninaE de todos os seus pecados ele se arrependeuMaria Lúcia era uma menina lindaE o coração dele pra ela o Santo Cristo prometeu
Ele dizia que queria se casarE carpinteiro ele voltou a ser- Maria Lúcia pra sempre vou te amarE um filho com você eu quero ter
O tempo passaE um dia vem na porta um senhor de alta classe comdinheiro na mãoE ele faz uma proposta indecorosaE diz que espera uma resposta, uma resposta de João- Não boto bomba em banca de jornalNem em colégio de criançaIsso eu não faço nãoE não protejo general de dez estrelasQue fica atrás da mesa com o cu na mãoE é melhor o senhor sair da minha casaNunca brinque com um peixes de ascendente escorpiãoMas com justiça e, com ódio no olharO velho disse:- Você perdeu a sua vida, meu irmão!- Você perdeu a sua vida, meu irmão!- Você perdeu a sua vida, meu irmão!Essas palavras vão entrar no coração- Eu vou sofrer as conseqüências como um cão.
Não é que o Santo Cristo estava certoSeu futuro era incertoE ele não foi trabalharSe embebedou e no meio da bebedeiraDescobriu que tinha outro trabalhando em seu lugar
Falou com Pablo que queria um parceiroQue também tinha dinheiro e queria se armarPablo trazia o contrabando da BolíviaE Santo Cristo revendia em Planaltina
Mas acontece que um tal de JeremiasTraficante de renome apareceu por láFicou sabendo dos planos de Santo CristoE decidiu que com João ele ia acabar.
Mas Pablo trouxe uma Winchester 22E Santo Cristo já sabia atirarE decidiu usar a arma só depoisQue Jeremias começasse a brigar
Jeremias maconheiro sem vergonhaOrganizou a Roconha e fez todo mundo dançarDesvirginava mocinhas inocentesE dizia que era crente mas não sabia rezarE Santo Cristo há muito não ia pra casaE a saudade começou a apertar
- Eu vou me embora, eu vou ver Maria LúciaJá está em tempo de a gente se casarChegando em casa então ele chorouE pro inferno ele foi pela segunda vezCom Maria Lúcia Jeremias se casouE um filho nela ele fez
Santo Cristo era só ódio por dentroE então o Jeremias pra um duelo ele chamou- Amanhã, as duas horas na CeilândiaEm frente ao lote catorze é pra lá que eu vouE você pode escolher as suas armasQue eu acabo mesmo com você, seu porco traidorE mato também Maria LúciaAquela menina falsa pra que jurei o meu amor
E Santo Cristo não sabia o que fazerQuando viu o repórter da televisãoQue deu notícia do duelo na TVDizendo a hora o local e a razão
No sábado, então as duas horasTodo o povo sem demoraFoi lá só pra assistirUm homem que atirava pelas costasE acertou o Santo CristoE começou a sorrir
Sentindo o sangue na gargantaJoão olhou pras bandeirinhasE o povo a aplaudirE olhou pro sorveteiroE pras câmeras e a gente da TV filmava tudo ali
E se lembrou de quando era uma criançaE de tudo o que vivera até aliE decidiu entrar de vez naquela dança- Se a via-crucis virou circo, estou aqui.
E nisso o sol cegou seus olhosE então Maria Lúcia ele reconheceuEla trazia a Winchester 22A arma que seu primo Pablo lhe deu
- Jeremias, eu sou homem. Coisa que você não éE não atiro pelas costas, não.Olha prá cá filho da puta sem vergonhaDá uma olhada no meu sangueE vem sentir o teu perdão
E Santo Cristo com a Winchester 22Deu cinco tiros no bandido traidorMaria Lúcia se arrependeu depoisE morreu junto com João, seu protetor
O povo declarava que João de Santo CristoEra santo porque sabia morrerE a alta burguesia da cidade não acreditou na história
Que eles viram da TVE João não conseguiu o que queriaQuando veio pra Brasília com o diabo terEle queria era falar com o presidentePra ajudar toda essa gente que só faz sofrer! 

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